Durante uma viagem de negócios, voltei a dormir com minha ex-esposa. Ao amanhecer, uma mancha vermelha no lençol me deixou sem fôlego. Um mês depois, um telefonema de um hospital em Cancún me fez perceber que aquela noite não tinha sido um erro… mas o início de algo muito mais sombrio.

Dormi com minha ex-esposa novamente durante uma viagem de negócios e, ao amanhecer, uma mancha vermelha no lençol me deixou sem fôlego. Um mês depois, um telefonema de um hospital em Cancún me fez perceber que aquela noite não tinha sido um erro… mas o começo de algo muito mais sombrio.
Ainda é difícil para mim falar sobre isso sem que minha garganta se feche. Eu não via Elena há quase três anos, desde o divórcio. Não nos separamos por causa de infidelidade ou um daqueles escândalos sobre os quais as pessoas sussurram nas refeições em família. Nosso relacionamento morreu lentamente, em meio a reuniões intermináveis, exaustão, pequenas discussões que se transformavam em grandes brigas e silêncios cada vez mais longos.
Um dia, assinamos os papéis em um tribunal na Cidade do México, apertamos as mãos quase como estranhos e cada um seguiu com sua vida.
Eu fiquei na capital, atolado até o pescoço em uma construtora que me sufocava. Elena foi para Quintana Roo trabalhar na administração de um hotel. Eu só ouvia falar dela por amigos em comum. Que ela estava bem. Que parecia mais em paz. Ela quase nunca falava sobre o passado.
E eu também não perguntei.
Até que fui enviado a Cancún a trabalho.
A ideia era fazer o levantamento topográfico de um terreno para um novo resort perto da Zona Hoteleira, encontrar-me com engenheiros, tirar medidas, assinar alguns documentos e voltar para a Cidade do México em dois dias. Cheguei cansado, me instalei em um hotel de frente para o mar e, naquela noite, saí para caminhar e espairecer.
Cancún tem um jeito estranho de enganar as pessoas. A música jorra dos bares como se ninguém tivesse problemas. Turistas tiram fotos sorrindo sob luzes de néon. O ar úmido gruda na camisa. O mar ruge por perto, mas as pessoas andam por aí como se tudo na vida pudesse ser resolvido com uma cerveja gelada e uma bela vista.
Entrei em um bar pequeno e despretensioso, um daqueles lugares com luz baixa onde você simplesmente vai para sentar um pouco. Pedi uma cerveja.
E quando olhei para cima, eu a vi.
Elena estava no bar.
Não sei explicar, mas mesmo de costas para mim, reconheci-a instantaneamente. O jeito como ela colocava o cabelo atrás da orelha. O jeito como segurava o copo sem beber. Aquela postura séria que sempre tinha quando estava absorta em pensamentos.
Senti um aperto no peito.
Quando ela se virou e me viu, seus olhos se arregalaram com a mesma surpresa que os meus.
"Carlos?"
Não sei quanto tempo ficamos nos encarando, mas foi estranho. Como se três anos tivessem de repente encolhido e se encaixado entre nós novamente.
Acabamos sentados à mesma mesa.
A princípio, conversamos com cautela, como duas pessoas que se conhecem muito bem e, ao mesmo tempo, já não se conhecem mais. Ela me perguntou sobre o meu trabalho. Eu perguntei sobre o dela. Rimos de uma antiga viagem a Puebla, de uma discussão boba sobre um cachorro que nunca adotamos, de coisas que teriam nos magoado muito mais em outra época.
A pior parte foi perceber que eu ainda conseguia conversar com ela com facilidade.
Como antes. Por volta da meia-noite, Elena disse que sabia o hotel onde eu estava hospedado. Então, sugeriu que fôssemos dar uma volta na praia.
E eu, que passei anos me convencendo de que a tinha superado, concordei como um idiota.
A praia estava quase vazia. O mar estava barulhento, embora não tanto quanto toda a turbulência que eu carregava dentro de mim. Caminhamos descalços na areia, conversando sobre bobagens, sobre lembranças, sobre como tínhamos estragado tantas coisas.
Houve um momento em que Elena ficou em silêncio e apenas me olhou.
Isso foi o suficiente.
Naquela noite, ela voltou para o hotel comigo.
Não pensei muito nisso. Queria acreditar que era uma despedida estranha, uma fraqueza compartilhada, algo que ficaria enterrado em Cancún. Nem sequer falamos sobre o dia seguinte. Não houve promessas. Nem perguntas.
Simplesmente aconteceu.
Mas ao amanhecer, tudo mudou.
Acordei tarde, com o sol entrando pelas cortinas brancas. Elena já estava parada perto da janela, vestindo uma das minhas camisas. Por um segundo, senti algo perigoso: paz. Aquele tipo de paz que faz você esquecer por que um relacionamento terminou.
Até que me levantei da cama.
E vi o lençol.
Havia uma mancha vermelha.
Não era grande. Mas estava lá. Nítida. Impossível de ignorar.
Congelei.
Elena se virou, viu meu rosto e, por um segundo, juro que ela também ficou assustada. Caminhou rapidamente até a cama, puxou o lençol e disse rápido demais:
"Não é nada, Carlos. Não faça perguntas. Você deveria ir tomar um banho; você tem trabalho a fazer."
Não era a resposta de alguém calmo.
Era a resposta de alguém escondendo algo.
PARTE 2...
, depois lerei a história 𝙘𝙤𝙢𝙥𝙡𝙚𝙩𝙖 𝙖𝙦𝙪í👇