Ele arrancou o microfone das mãos do DJ.
—Estou grávida do filho do Eric—, disse Natalie.
Então ele sorriu.
Meu.
A taça de vinho da minha mãe escorregou de suas mãos e se estilhaçou no chão de mármore. Meu pai se agarrou à mesa como se o mundo inteiro estivesse desabando sobre ele.
Eu não me mexi.
Eu não gritei.
Eu não chorei.
Porque no fundo da sala, sentado a uma mesa, estava um homem de terno cinza que Natalie não conhecia.
E eu passei quatro meses esperando por esse exato momento.
Ele tinha trinta e oito anos de idade.
Ele era um militar aposentado, e existem alguns hábitos que a gente nunca abandona.
O mais importante é o seguinte: nunca entre em combate sem ter toda a sua munição pronta.
Eu mesma organizei a festa.
Escolhi o salão de baile, a banda ao vivo e o bolo de três andares.
Cheguei a mandar bordar nossas iniciais nas toalhas.
Dez anos com Eric.
Dez anos.
Naquela manhã, eu mesma passei a ferro a camisa azul dele, aquela que ele sempre dizia ser a sua favorita.
Natalie era minha irmã mais nova.
Ele carregou o bebê nos braços por toda a casa.
Minha irmã, cujas dívidas eu quitei antes que nossos pais descobrissem.
Ela chegou vestida com um vestido vermelho, me abraçou forte e sussurrou no meu ouvido:
“Eu te amo muito, irmãzinha.”Tinha exatamente o mesmo cheiro do perfume do Eric.
No início, não dei muita atenção a isso.
Mas dois meses antes, Eric tinha chegado em casa com exatamente o mesmo cheiro, e quando lhe perguntei, ele disse que era por causa do novo aromatizador de ar que tinha no carro.
Eu acreditei nele.
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