Meu marido faleceu há cinco meses… Esta manhã, vi um homem idêntico a ele — e decidi segui-lo secretamente… sem imaginar o que estava prestes a descobrir…

Ele apertou os punhos.

— Porque se eles descobrissem que tinhas alguma ligação comigo… desapareceria.

Aquela frase gelou-me o sangue.

Olhei novamente para a divisão.

As fotografias.

As provas.

Tudo… não era obsessão.

Era proteção.

Da forma mais retorcida possível.

— E agora, o que vai acontecer…?! — perguntei. — Vais continuar “morto”?

Ele olhou para mim.

Durante muito tempo.

Depois, negou com a cabeça.

— Não.

Uma única palavra.

Mas fez o meu coração disparar.

— Já acabei com tudo — disse ele. — Hoje… é o último dia que tenho de me esconder.

Prendi a respiração.

— E…?!

Ele aproximou-se mais.

O suficiente para eu poder ouvir o seu coração.

— E voltei… para escolher.

— Escolher o quê?

Olhou-me nos olhos.

— Escolher entre continuar desaparecido… ou voltar a viver… e enfrentar as consequências.

Uma lágrima percorreu a minha bochecha.

— E eu…?! — perguntei. — O que sou eu nessa decisão?

Ele não respondeu de imediato.

Em vez disso…

Levantou a mão.

E tocou suavemente no meu rosto.

Aquele gesto.

Familiar.

Quente.

Real.

— Tu… és a razão pela qual voltei.

Três semanas depois…

Partimos da cidade.

Sem cerimónia.

Sem explicações.

Sem despedidas.

Apenas duas pessoas… que se perderam… e se encontraram de novo.

Recomeçamos do zero.

Num sítio onde ninguém sabia quem éramos.

Sem passado.

Sem segredos.

Apenas o presente.

Às vezes, acordo a meio da noite.

Olho para ele a dormir ao meu lado… e pergunto-me se tudo não passou de um sonho.

Mas depois ele pega na minha mão.

Como antes.

E eu sei.

É real.

Continua a ser o mesmo homem.

Aquele que “morreu” uma vez…

Apenas para voltar a viver… e escolher-me outra vez.

FIM.