mensagem: “Mãe, cuide-se bem. Estou bem.” Essa palavra — bem — era o que mais me preocupava. Fizemos uma chamada de vídeo uma vez. Ela continuava linda, mas seus olhos não eram os mesmos. Sempre com pressa. Sempre distante. Perguntei por que ela não tinha voltado para casa. Ela ficou em silêncio e depois disse: "Estou muito ocupada, mãe". Não insisti no assunto. Às vezes, as mães se tornam covardes por medo de ouvir a verdade.
O tempo passou. Minha casa melhorou graças ao dinheiro que ela me enviava. Todos me diziam que eu tinha sorte. Mas como eu poderia ser feliz comendo sozinha todos os dias? Todo Natal, eu preparava uma mesa para ela. Cozinhava seu ensopado favorito e chorava em silêncio. Doze anos. É muito tempo. Finalmente, tomei uma decisão: eu iria para a Coreia. Não contei para ele. Para uma mulher de sessenta e três anos que nunca tinha saído do país, era loucura. Mas comprei minha passagem com a mão trêmula e parti.