Naquela tarde, Mateo a esperava no Parque México com um enorme buquê de rosas vermelhas. Ele se sentia ridículo, mas desesperado. Quando Lucía apareceu, vestia uma jaqueta simples e seus olhos estavam cansados.
—Lucía, por favor. Deixe-me explicar.
Ela olhou para as flores.
—Isso também faz parte do seu teatro?
Mateo baixou o buquê.
—Não. Eu te amo.
Lucía fechou os olhos por um segundo, como se aquelas palavras a tivessem magoado.
—Não diga isso para consertar o que você quebrou.
—Eu posso te dar estabilidade. Posso te ajudar com os estudos, com o aluguel, com o que você precisar. Você nunca mais vai ter que se preocupar com dinheiro.
Ela soltou uma risada triste.
“É isso que você não entende. Passei anos me reconstruindo para não depender de ninguém. Sobrevivi a um pai abusivo, dívidas, funerais, empregos onde era tratada como inferior. E quando alguém finalmente olhou para mim sem pena, descobriu que também estava me julgando.”
Mateo sentiu que as flores pesavam como pedras.
—Não tive a intenção de te magoar.
—Mas você conseguiu.
Lúcia respirou fundo.
—Vou me demitir. Não aceitarei a promoção. Não quero que meu futuro dependa de você.
—Lucía…
—Se você voltar a falar comigo, que seja sem disfarces, sem provas e sem tentar me salvar.
Ela se afastou sob as luzes do parque. Mateo não a seguiu. Pela primeira vez, ele entendeu que amar alguém não era dar-lhe dinheiro, mas respeitar a distância que essa pessoa precisava para se curar.
Seis meses depois, uma pequena floricultura foi inaugurada em uma esquina tranquila do bairro Roma.
O nome dela era Flores de Lucía.
Não era grande nem luxuoso, mas cada detalhe levava o seu toque: vasos de flores pintados, fitas coloridas, buquês de copos-de-leite, cravos-de-defunto fora de época e rosas embrulhadas em papel kraft. Lucía o abriu com suas economias, um pequeno empréstimo e incontáveis noites em claro.
O primeiro mês foi difícil. O segundo também. Mas os vizinhos começaram a recomendá-la. Uma mulher comprava flores todas as segundas-feiras para o marido falecido. Um rapaz pediu girassóis para se desculpar com a namorada. Uma menina vinha todas as sextas-feiras comprar uma única margarida para a professora.
Lucía descobriu que não queria vender luxo. Ela queria vender gestos.
Certa manhã, enquanto arrumava lírios brancos, ela viu um carro preto estacionar do outro lado da rua.
Mateo desceu as escadas.
Ela não usava um vestido imponente. Nem havia rosas gigantes. Ela carregava um único vaso pequeno e simples de buganvília, com as folhas molhadas pela chuva.
Ele permaneceu na entrada, sem invadir.
—Olá, Lucia.
Ela o encarou por um longo tempo.
—Olá, Mateo.
Ele levantou cuidadosamente o vaso de flores.
—Desculpe, não vim comprar nada. Vim perguntar se esta planta precisa de sol direto ou sombra. Me disseram que aqui eles tratam bem até quem não entende nada do assunto.
Lúcia tentou não sorrir, mas não conseguiu evitar.
—Depende. Se você cuidar dela com paciência, ela floresce. Se tentar controlá-la demais, ela seca.
Mateo assentiu com a cabeça, compreendendo que eles não estavam falando apenas de plantas.
—Então aprenderei a cuidar bem dela.
Lúcia pegou o vaso de flores e o colocou no balcão.
—Eu posso explicar. Mas desta vez, sem mentiras.
“Sem mentiras”, disse ele.
A chuva continuava a cair sobre Roma, lavando calçadas, carros e antigas feridas. Não houve beijo de cinema, nem promessa eterna. Apenas duas pessoas frente a frente, pela primeira vez em pé de igualdade.
E às vezes, depois de tanta dor, isso é mais poderoso do que qualquer final perfeito.