Meu padrasto criou cinco filhos que não eram dele – e, depois do seu funeral, cada um de nós recebeu uma carta que jamais deveria ter sido lida pelos outros

 

Susan parou no degrau de baixo e olhou para a lâmpada acima da porta, como se Thomas pudesse aparecer a qualquer segundo e dizer: “Sobre a hora. Tenho sopa, querida.”

 

Ninguém a apressou. Thomas nos havia criado bem o suficiente para saber que alguns silêncios precisam de espaço.

 

Dentro da casa, o cheiro era de café, cedro e os pastilhas de canela que ele guardava em todos os bolsos dos casacos. Michael foi automaticamente para a cozinha, porque o luto faz as pessoas precisarem de ocupação. Mara encontrou álbuns de fotos. Noah ficou no meio da sala, chorando silenciosamente, do jeito que os homens fazem quando têm filhos em casa e aprenderam a segurar as coisas demais.

 

 

 

Susan se sentou no sofá, segurando o medalhão com as duas mãos.

 

“Eu o odiei por tanto tempo,” disse ela.

 

“Você tinha 18 anos e estava magoada,” respondi.

 

“Mesmo assim, eu fui embora.”

 

“Sim, você foi.”

 

“Você acha que ele vai me perdoar?”

“Sim,” disse eu. “Acho que ele já perdoou.”

 

Michael entrou com canecas. “Por favor. Thomas teria perdoado um assalto a banco se você parecesse realmente arrependida.”

 

Isso arrancou uma pequena risada.

 

Mara abriu um álbum de fotos. Lá estávamos nós, de pijamas combinando no Natal, que Thomas comprava em liquidação todo ano e fingia que eram de grife. Noah sem os dentes da frente. Susan com franja que cortou sozinha com tesourinha de artesanato e instinto duvidoso. Eu com o braço em volta do pescoço de Thomas, e bolo espalhado em nossos rostos.

 

“Olhem o cabelo dele,” disse Mara, entre lágrimas. “Por que ele dividia assim?”

 

Michael bufou. “Porque ele achava que gel era um estilo de vida.”

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