Pensei em desistir da última coisa importante que me restava só para sobreviver mais um mês. Eu não fazia ideia de que entrar naquela loja de penhores revelaria um passado que eu nem sabia que existia.
Após o meu divórcio, não me sobrou muita coisa.
Um celular quebrado que mal carregava. Dois sacos de lixo cheios de roupas que eu não gostava mais. E algo de que eu nunca pensei que me desfaria: o antigo colar da minha avó.
É isso.
Não saí de lá com muita coisa.
Meu ex-marido não apenas me abandonou. Ele se certificou de que eu não tivesse nada em que me apoiar caso precisasse.
O aborto espontâneo já me tinha deixado exausta quando, uma semana depois, ele também faleceu. Ele partiu com uma amante mais jovem.
Durante semanas, agi mais por instinto do que por qualquer outra coisa.
Trabalhei em turnos extras no restaurante. Contava cada gorjeta como se fosse oxigênio.
Mas a teimosia pura tem limites.
Ele partiu com uma amante mais jovem.
Certa noite, cheguei em casa e encontrei um aviso vermelho do meu senhorio colado na porta do meu novo apartamento.
Aviso:
ÚLTIMO AVISO.
Fiquei ali parada, olhando para ele como se ele pudesse desaparecer a qualquer momento.
Isso não aconteceu.
Sinceramente, eu não tinha dinheiro para pagar o aluguel.
Eu sabia o que tinha que fazer mesmo antes de admitir para mim mesma. Foi uma atitude desesperada.
Assim que entrei no apartamento, peguei a caixa de sapatos velha que estava no fundo do armário.
Dentro, embrulhado num lenço velho, estava o colar antigo.
Eu não tinha dinheiro.