A continuação muda tudo.

 

E lá estava ele.

Meu enteado.

Tão pálido.

Tão mais magro do que antes.

Ao lado da cama havia um recipiente de plástico cheio de pequenas estrelas de papel dobradas.

Meu marido pegou uma e colocou na minha mão.

“Ele faz uma cada vez que a dor fica insuportável”, disse ele.

Olhei para a frágil estrela, cuidadosamente dobrada em papel azul brilhante.

“Ele acha que se conseguir mil”, continuou meu marido gentilmente, “você vai dizer sim.”

Essas palavras me atingiram como um soco no coração.

Minha garganta se fechou enquanto eu encarava a cama.

Seus olhos se abriram lentamente ao ouvir minha voz.

Quando ele me viu, um leve sorriso surgiu em seu rosto abatido.

“Eu sabia que você viria”, disse ele fracamente.

Meu coração se partiu.

“Você sempre volta.”

Aquilo doeu.

Porque eu não tinha voltado.

Não no início da doença dele.

Não quando os médicos disseram que a leucemia era agressiva.

Não quando nos disseram que não tínhamos tempo a perder.

Só para dar um exemplo,
aproximei-me lentamente da cama e peguei delicadamente em sua mão, com medo de machucá-lo.

Seus dedos pareciam tão pequenos nos meus.

“Estou aqui agora”, disse baixinho. “Não vou a lugar nenhum.”

Ele assentiu levemente, como se isso bastasse.

Como se a minha mera presença resolvesse tudo.

Olhei para o meu marido.

Ele estava perto da porta, observando-nos, cansado demais até para ter esperança.

“Ainda não é tarde para começar o transplante, não é?”, perguntei.

Ele não respondeu por um instante.

Então esfregou o rosto e disse: “Ainda temos tempo. Mas precisamos agir rápido.”

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